Histórias
Mercadinho e lanchonete
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Mercadinho e lanchonete
Mercadinho do Rodrigo
O Mercadinho do Rodrigo atende a vizinhança há doze anos. Boa parte dos clientes compra fiado e acerta no fim do mês, um arranjo de confiança que funciona há uma década e que nenhum sistema tinha conseguido acompanhar.
Mercadinho do Rodrigo
Mercadinho e lanchonete
“Uso para controlar fiado e estoque no mesmo lugar. A Mimu lembra quem me deve antes de eu esquecer.”
Rodrigo
Dono do Mercadinho do Rodrigo
R$ 940
em fiado esquecido, recuperados no primeiro mês
0
cadernos de anotação em uso hoje
Rodrigo abre às sete e fecha às oito da noite. Entre um cliente e outro, repõe prateleira, confere entrega e anota fiado. O caderno de fiado ficava embaixo do balcão, e era ali que morava a parte mais importante do caixa.
Caderno molha, rasga e some. Pior: o que estava escrito nem sempre era legível dali a três semanas. Rodrigo perdia dinheiro de dois jeitos: o que ele esquecia de anotar e o que ele anotava mas não conseguia mais ler. Quando o cliente dizia “acho que já paguei”, não havia como discordar.
“Eu não ia brigar com freguês de doze anos por causa de trinta reais que eu não sabia provar. Então eu engolia. E isso acontecia várias vezes por mês.”
Rodrigo, Mercadinho do Rodrigo
Um lugar onde o fiado ficasse guardado com data e valor, que ele pudesse consultar na frente do cliente sem constrangimento, e que continuasse funcionando quando a internet do bairro caísse, o que acontece com frequência.
Rodrigo passou a lançar o fiado na hora, falando com a Mimu enquanto embalava a compra. Cada cliente ficou com seu histórico: quanto deve, desde quando, e o que foi levando. Quando alguém paga, ele avisa e a Mimu dá baixa e atualiza o caixa. Nos dias em que a internet cai, ele registra do mesmo jeito, sobe sozinho depois.
“Agora eu viro o celular pro cliente e mostro. Não tem discussão, tem a data ali. E ninguém ficou bravo, porque é justo dos dois lados.”
Rodrigo, Mercadinho do Rodrigo
No primeiro mês, a Mimu apontou R$ 940 em fiado que já tinha vencido e que Rodrigo não estava cobrando porque simplesmente não lembrava. Ele mandou mensagem para cada um, e quase todos pagaram, nenhum deles estava fugindo, todos tinham esquecido também.
O caderno de baixo do balcão saiu de circulação. O controle de estoque veio junto: quando um produto está acabando, a Mimu avisa antes de a prateleira ficar vazia.
“Não era gente má-pagadora. Era eu que não estava cobrando. A Mimu não deixa mais isso passar.”
Rodrigo, Mercadinho do Rodrigo
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